Jungmann na OAB: corrupção começa com apadrinhados
Brasília, 20/04/2005 - O deputado Raul Jungmann (PPS/PE) afirmou hoje (20), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que todos os escândalos de corrupção na máquina pública têm origem nas indicações de apadrinhados feitas por políticos para cargos de diretoria em empresas, autarquias e órgãos públicos. “Nunca identifico bom propósito quando um político indica alguém para um cargo de confiança na administração pública. Não tem sentido indicação política para cargo público, seja ele qual for”.
A afirmação foi feita pelo deputado durante o lançamento do movimento nacional contra a prática do nepotismo nos três Poderes, realizado na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília. Na ocasião, Jungmann relatou a experiência no banimento do nepotismo quando atuou como ministro do Desenvolvimento Agrário, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Logo que assumiu a pasta, Raul Jungmann baixou uma portaria proibindo a contratação de parentes até o quarto grau nos quadros do Ministério, em comissões e nas Superintendências ligadas ao Ministério e ao Incra. “Recebemos muita pressão e tivemos dificuldades para fazer valer a portaria, mas acabamos demitindo, em um único dia, os 26 superintendentes que haviam sido empossados por indicação política”, afirmou o deputado à platéia composta pela diretoria da OAB, presidentes de Seccionais da entidade, advogados e representantes de associações convidadas.
Em seu discurso, o deputado criticou as promessas de cargos feitas por políticos a financiadores de suas campanhas e o uso de recursos públicos para a contratação de apadrinhados, até mesmo por meio de empresas terceirizadas - prática classificada pelo parlamentar como um “mimetismo” do nepotismo, envolvendo instituições públicas e privadas. “O nepotismo é a apropriação de um espaço da esfera pública”, afirmou Jungmann, defendendo a edição imediata de lei federal contra a prática do nepotismo.
O deputado defendeu, ainda, o fim do sigilo bancário e fiscal de ministros de Estado e de autoridades públicas, como forma de atrair a confiança da sociedade na gestão dos recursos públicos.
