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CNMA: “mulheres não são inferiores ao torneiro mecânico”

segunda-feira, 14 de março de 2005 às 15h49

Brasília, 14/03/2005 - A presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada (CNMA) da OAB, Maria Avelina Hesketh, fez hoje (14) duras críticas às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Dia Internacional das Mulher, no sentido de que as mulheres “não sejam desaforadas e não comecem a pensar logo na Presidência da República, não”. Avelina replicou Lula durante sessão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, do qual participa como conselheira federal do Estado do Pará. “As mulheres não são inferiores ao torneiro mecânico”, disse ela referindo-se à profissão de Lula antes de se tornar presidente da República.

Para Maria Avelina, “é inadmissível que o presidente da República tenha o desplante, a insensibilidade de chamar as mulheres de desaforadas”. Ela observou que o próprio presidente Lula observou naquele discurso que as mulheres já representam 52% da população brasileira, sendo, portanto, maioria no povo. “Na medida que as mulheres já ocupam o espaço da sua cidadania política - e uma das maiores conquistas da mulher foi o reconhecimento da sua cidadania política que lhe dá acesso aos cargos públicos, aos cargos políticos e aos cargos empresariais de maior expressão - não há porque querer impedir que a mulher chegue à Presidência da República”.

A presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada da OAB afirmou que as profissionais dessa área repudiam, em conseqüência, “a postura do presidente Lula. “As mulheres advogadas não esperam que ele retrate mas, pelo menos, reconheça a postura abusiva, a postura ofensiva às mulheres”. “E concluiu: “Ademais, se ele, como um torneiro mecânico, teve acesso à Presidência da República por aplauso nacional, por reconhecimento popular, não pode ele vir a diminuir a condição e a capacidade política da mulher na sua aspiração a ter acesso aos cargos políticos”.

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