OAB lamenta morte de irmã Dorothy no Pará
Brasília, 12/02/2005 – O presidente da Seccional da OAB no Pará, Ophir Filgueiras Cavalcanti Junior, acaba de comunicar ao presidente nacional a entidade, Roberto Busato, o assassinato hoje (12) da irmã Dorothy Stang, de 73 anos. A norte-americana naturalizada brasileira atuava há vários anos na linha de frente na defesa dos movimentos sociais no município de Anapú, distante 700 quilômetros de Belém e próximo ao município de Altamira, na Transamazônica. No final do ano passado Dorothy recebeu, na sede da OAB, o prêmio “José Carlos Castro” - advogado que atuou sempre em defesa das ações de cunho social naquele Estado. Dorothy integrava a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e vinha sendo ameaçada de morte por fazendeiros da região.
Profundamente abalado com o assassinato da irmã Dorothy, o presidente da Seccional da OAB afirmou que “a morte de Dorothy é um profundo golpe na luta dos direitos humanos do país, mas esse lamentável fato ao invés de calar a sociedade vai dar mais força a todos que lutam pelos direitos humanos para continuarem lutando em favor da cidadania do homem no campo e da reforma agrária nesse país”.
Desde 1997, irmã Dorothy vinha lutando junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a implantação de projetos de assentamentos adequados para a conservação da Amazônia, como o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS). A escolhida para receber o prêmio dedica-se à defesa de pequenos agricultores e ações para minimizar conflitos fundiários, grilagem e comércio de terras públicas.
A OAB-PA instituiu o prêmio de Direitos Humanos "José Carlos Castro" em 2003, que titulou o primeiro presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem, instalada pelo atual presidente da OAB-PA, Ophir Cavalcante Junior, em 1984, época em que o Brasil iniciava, timidamente, a transição de um período autoritário para a democracia. José Carlos Castro foi notabilizado inclusive no exterior.
