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Rato: quem é o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional

sexta-feira, 3 de setembro de 2004 às 18h16

Brasília, 03/09/2004 - Ex-ministro da Economia da Espanha no governo de José Maria Aznar, o novo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo Rato, que assumiu o posto em maio último, é lembrado em seu país como o homem que cortou dramaticamente as despesas sociais públicas, em nome da eliminção do déficit público do governo espanhol. Linha-dura, foi o responsável pela execução do mais arrochado orçamento social de todos os governos da Comunidade Européia, fato que se traduziu em redução significativa das pensões e aposentadorias e nos gastos com educação e saúde naquele país.

A eliminação do déficit público espanhol foi acompanhado de um enorme custo social. Os 40 anos da ditadura fascista de Franco, conhecido não só pelo extermínio de milhares de inimigos, mas também pela sua insensibilidade social, já deixara a Espanha numa posição socialmente inferior dentro da Europa. Em 1975, quando o ditador morreu, a percentagem de população com pouca educação (menos de seis anos de escolaridade) era de 84% e as despesas sociais públicas representavam 14% do Produto Interno Bruto (PIB), ou oito pontos percentuais abaixo da média da Europa continental (22% do Produto).

Após o estabelecimento da democracia e sob os governos social-democratas (82-93) a Espanha passou a gastar 24% de seu PIB em despesas sociais públicas. Mas, com Rato assumindo o Ministério da Economia (1996-2004), as pensões e despesas públicas com saúde foram cortadas de forma selvagem, aprofundando o que já se iniciara em 1991 com a corrente dos chamados liberais dentro da social-democracia.

“A conseqüência disso é que a Espanha tem perdido terreno dramaticamente, no que diz respeito a indicadores sociais, dentro da União Européia; hoje, o déficit de despesas sociais da Espanha, comparado com a média da EU, é a mesmo de quando Franco morreu”. A análise é de Vicente Navarro, professor de Política Pública na John Hopkins University, do Estados Unidos, e na Universidad Pompeu Fabra, na Espanha.

O professor observa que Rodrigo Rato tem se manifestado triunfalmente acerca da posição da Espanha na União Européia, apregoando que o país está no topo da comunidade, com a economia crescendo mais que a média dos demais países, “porque é o primeiro membro da UE-15 a alcançar o pacto de estabilidade, isto é, com déficit público zero”. Segundo Navarro, quem se tornou o principal advogado pela indicação de Rato ao cargo de diretor-geral do FMI, não por acaso, foi o ministro da Economia de Tony Blair, da Inglaterra, Gordon Brown.

“Mas em parte alguma são mencionados os enormes custos que este ‘êxito’ teve sobre a qualidade de vida da gente média na Espanha. E estas são as mesmas políticas que o Sr. Rato se prepara para seguir no FMI, políticas que causaram enorme sofrimento e dano para o povo espanhol e serão agora executadas em escala mundial”, afirmou Vicente Navarro. Ele concluiu observando que, politicamente, Rato é da ultra-direita e financiou uma fundação espanhola dedicada à promoção do franquismo.

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