Artigo: O Leopardo e o Senado
Rio de Janeiro, 11/08/2009 - O artigo "O Leopardo e o Senado" é de autoria do presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, e foi publicado na edição de hoje (11) do Jornal O Dia (RJ):
"Se quisermos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude". A máxima do escritor italiano Giuseppe Tomaso di Lampedusa em sua obra magistral, "O Leopardo", parece se encaixar perfeitamente na triste fase do Senado, onde a guerra travada aos nossos olhos resume-se a um jogo, mero acerto de contas entre as elites.
Não se vislumbra, na Casa transformada em ringue de agressões e baixarias, campanha sincera pela moralização. Alguns dos acusadores de Sarney - que não reúne mais condições políticas de comandar o Senado - não passariam poruma lupa ética, apesar de atuarem como arautos da virtude.
Não desejam nem se movem para tornar possível o saneamento das práticas condenáveis, a correção de desmandos e favorecimentos que todos conhecem, há muitos anos.
Atacam porque Sarney não servir mais ao status quo, precisam que seja demonizado para distrair o público.
A população assiste a esse espetáculo de má qualidade com asco cada vez maior e espanto proporcionalmente menor. Seus atores afundam-se no lamaçal da política em minúsculas, mas não estão nem aí para o que interessa: a apuração, com a devida transparência, de tantas acusações.
O pior é que não se vislumbra, até as eleições de 2010, o fim dessa trama ruim, numa Casa que deveria dignificar o Legislativo e ser sinônimo de equilíbrio e da sensatez.
Essa é uma guerra para perpetuar velhas estruturas.
Aos cidadãos otimistas resta o poderoso instrumento das vaias da opinião pública. Que sejam ponto de partida para o que importa: limpar o Senado dos vícios de quem só quer se perpetuar no poder."