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Editorial: Ética na política

sexta-feira, 23 de junho de 2006 às 07h00

Fortaleza (CE), 23/06/2006 – O editorial “Ética na política” foi publicado na edição de hoje (23) do jornal Diário dO Nordeste:

“Três frentes de mobilização do eleitorado pela ética na política estão destinadas a influir positivamente na campanha eleitoral deste ano. De comum, elas têm um claro propósito, embora representem estamentos sociais distintos. E delas muito se espera para, pelo menos, inibir a influência do poder econômico no pleito de 1º de outubro.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão engajadas no esforço meritório e pedagógico para conscientizar o eleitorado. A CNBB e a OAB registram experiências anteriores nesse terreno. O novo é a luta dos magistrados por eleições limpas.

Essas ações pontuais no processo eleitoral ocorrem exatamente quando a opinião pública tende a refugar condutas pouco edificantes expostas na rotina política do País. Elas estariam entranhadas, há muito, entre os políticos. Sua descoberta decorreu do desencanto do ex-deputado Roberto Jefferson, insatisfeito com o tratamento recebido por seu partido, o PTB, implodindo o submundo de negociatas.

Governantes, partidos e parlamentares, ao longo de mais de um século de funcionamento da República, pouco se deram à tarefa de concentrar esforços em torno da formação de eleitores conscientes. Pelo contrário. A República Velha herdou os vícios eleitorais do Império, mantendo enclausurados os eleitores em visíveis mecanismos de controle dos votos.

Contra essa estrutura viciada, perversa e antidemocrática, Ruy Barbosa promoveu a Campanha Civilista de 1910, sendo derrotado pelos grotões sertanejos. Ficou, entretanto, a semente bem plantada no voto urbano, desde então, fora do domínio dos potentados da política. Daí o desempenho destoante das Capitais em relação ao comportamento eleitoral do Interior.

A Revolução de 30 trazia em sua plataforma o compromisso com a verdade das urnas. Dela resultou a Justiça Eleitoral e o aperfeiçoamento dos pleitos, sem, contudo, universalizar, na prática, o voto como signo da cidadania. O poder econômico, como na República Velha, continuou a influir no processo, diversificando apenas o “modus faciendi”.

Se até hoje essa mácula enoja as minorias políticas bem-intencionadas, ela resulta exatamente da falta de educação política nas escolas e nas agremiações partidárias, encarregadas de preparar quadros. Por isso, cada eleição funcionaria como forma de redistribuir renda, ficando a maior fatia do bolo para os atravessadores, e as migalhas, para os mais carentes.

No pleito deste ano, a AMB está concitando o cidadão a assumir sua posição de eleitor consciente. A CNBB tenta mostrar uma verdade pouco assimilada pela massa: “Voto não tem preço. Tem conseqüência.” E a OAB se dispõe a fundamentar as representações jurídicas contra episódios de corrupção eleitoral.

A Democracia se constrói seqüenciada num processo evolutivo. Nele, os pleitos correspondem aos instrumentos impulsionadores de seu amadurecimento. Daí a relevância da participação consciente do eleitorado.”

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