Busato: “Sai governo, entra governo e a situação é a mesma”
Brasília, 19/02/2004 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, considerou “acanhados” os incentivos feitos pelo atual governo na área social, fato comprovado no relatório da Organização das Nações Unidas sobre a prostituição infantil no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (18/02). Conforme o estudo, existem 241 rotas de tráfico de menores e de mulheres no Brasil. A inércia do Judiciário e da polícia é apontada no relatório como causa do problema.
“Precisamos de medidas radicais para sanar chagas como a prostituição infantil, a queda na renda e o desemprego. Sai governo, entra governo e a situação é a mesma, de décadas atrás”, afirmou Busato.
O relatório não traz novidades, na opinião do presidente da OAB, mas apenas repercute, a nível mundial, a situação anômala que o Brasil vive. Para ele, problemas como a prostituição, a exploração dos trabalhos escravo e infantil e o crescimento do desemprego devem ser encarados como prioridade pelo governo federal. “O povo deu um recado muito claro nas últimas eleições, mostrou que queria mudanças significativas na área social, o que, até agora, não veio”, afirmou Roberto Busato.
“Em 2004, quando o mundo está globalizado e nos ufanamos com a economia e a inflação controlada, deveríamos nos preocupar também com a miséria, a exploração do trabalho escravo, a prostituição e o desemprego”, disse Busato, ressaltando as enormes diferenças sociais do País.
Sobre o relatório da ONU - o segundo tecendo críticas à atuação do Judiciário brasileiro -, Busato reafirmou a posição da OAB, de que seus resultados apontaram “apenas o óbvio”. “Nós conhecemos as nossas deficiências, temos instrumentos para resolvê-las, mas tem havido pouca vontade política com a intenção de diminuir as diferenças sociais”.