O ex-Conselheiro Federal Evandro Lins e Silva conta um fato a ele relatado por Raymundo Faoro:

“...Quando anunciava o Presidente Geisel, que ia fazer o retorno lento e gradual à democracia, o então Ministro da Justiça Petrônio Portela convidou o Dr. Raymundo Faoro para ir ao Presidente da República, que era o General Ernesto Geisel, e ele teve, com toda a bravura, uma certa afoiteza, a coragem de dizer ao Presidente da República:

- ‘Vossa Excelência não ignora que nos quartéis do Exército se pratica a tortura, todos os dias, contra os presos políticos.’

E Geisel respondeu:

- ‘Mas o senhor não há de imaginar que eu esteja de acordo com isso!?’

E Faoro disse:

- ‘Não, não estou imaginando isso. Mas o senhor não acaba porque não quer!’

Ele disse que o Presidente ficou extremamente vermelho e retrucou:

- ‘Mas eu não posso acabar. As condições não permitem.’

- ‘Pode! É um ovo de Colombo! Basta que o senhor restaure o habeas corpus para os presos políticos, que a tortura acaba no dia seguinte.’

E foi um ovo de Colombo porque o habeas corpus, realmente, é um remédio sagrado para impedir que a violência se consume, pelo temor que tem a autoridade de cometer a violência ante a possibilidade de ser desmascarada essa violência.”