Evandro: esperança no Brasil
Brasília, 16/12/2002 – Leia, abaixo, pronunciamento de improviso feito pelo jurista Evandro Lins e Silva ao receber, dia 11 de novembro em Salvador, na abertura da XVIII Conferência Nacional dos Advogados, os prêmios outorgados pela União Ibero-Americana de Advogados (UIBA) e pela Unesco. O pronunciamento foi dirigido, especialmente, ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, que estava presente à solenidade.
“Senhores componentes da mesa, senhor presidente eleito, presidente Lula. Valeu a pena viver tanto para receber, no fim a vida, tantos mimos, tantas condecorações, tantos crachás, tantos afagos, a um advogado que lutou muito durante a vida inteira e que trabalha até hoje. A primeira condecoração dos últimos tempos me foi ofertada pela OAB na presidência do nosso querido Marcelo Lavenère Machado, a Medalha Rui Barbosa. É um crachá oferecido ao advogado que se distinguiu, e, pela antigüidade, eu fui o escolhido na época. É a condecoração mais importante que a OAB oferece a um dos seus membros. Depois vieram outras homenagens, outros galardões, e, agora, é assim por atacado. Uma que realmente me confortou muito: a sala do Júri Federal do Rio de Janeiro, com o meu nome. Eu me senti em estado de graça quando recebi aquela homenagem. E hoje recebo duas condecorações mundiais: uma da UIBA e outra da Unesco, todas relacionadas com a minha atividade profissional. Eu agradeço de coração essas homenagens, esses afagos todos. Em um momento tão difícil da vida do Brasil, é natural que eu me sinta extremamente emocionado, mas ainda conservando, apesar da idade, a esperança de que tenhamos melhores dias. Nestes 70 anos de exercício contínuo e permanente da profissão, não enxerguei nenhum instante tão difícil como este que o mundo atravessa. A humanidade não abe qual será o final de tudo isto: desemprego, miséria, fome, um sistema econômico sumamente desigual. Então, a esperança de que haja no Brasil um governo de um trabalhador que venha realmente implantar um sistema de governo que consiga dirigir os destinos de nosso país. Ao invés de estar cuidando dos juros, dos bancos e do capital financeiro, ele se preocupa em primeiro lugar, em matar a miséria e a fome do povo. Tenho a esperança, e, mais que isso, tenho a certeza de que haverá uma mudança. Passei tempo demais à espera dessa mudança. E estou convencido de que ela agora acontecerá. Felicidades para o Brasil!”