OAB Nacional divulga resultado do maior levantamento de jovens advogados do Brasil
O Conselho Federal da OAB divulgou os resultados do Fala Jovem Advocacia, censo nacional que reúne dados e percepções de advogadas e advogados com até cinco anos de inscrição na Ordem. Com 9.102 respondentes, de todos os estados brasileiros, o levantamento mapeia a realidade socioeconômica dessa parcela da advocacia. Com o objetivo de subsidiar a formulação de políticas institucionais de apoio voltadas à jovem advocacia, as respostas foram consolidadas em relatório oficial, encaminhado ao Colégio de Ouvidores da OAB e à diretoria do CFOAB.
A ouvidora-adjunta da Jovem Advocacia do Conselho Federal da OAB, Vitória Jovana da Silva Uchôa, responsável pela coordenação técnica do levantamento, apresentou os dados durante a primeira sessão ordinária do Conselho Pleno de 2026, realizada nesta segunda-feira (2/2), na OAB-DF. Na ocasião, ela ressaltou a importância do censo para orientar decisões estratégicas e definir o futuro da profissão, falando que as ‘dores’ não são regionais, são nacionais. “O Fala Jovem nos entrega mais do que números, nos entrega responsabilidade. Que este censo seja um marco de virada e não apenas um registro estatístico”, disse.
Após parabenizá-la e também à equipe envolvida na elaboração do levantamento, o vice-presidente do CFOAB, Felipe Sarmento, afirmou: “que nós possamos aprender com as informações para atender melhor a expectativa da jovem advocacia”.
Temas abordados
Dividido em oito eixos, o documento reúne informações sobre inscrição na OAB, dificuldades no início da carreira, acesso a cursos, barreiras de inclusão, remuneração, uso de tecnologia, desafios enfrentados por profissionais que atuam no interior, entre outros temas.
Em relação ao tempo de inscrição na Ordem, a maioria, 39%, ou seja, 3.548 advogadas e advogados, têm menos de 1 ano de inscrição. Por sua vez, 1.980 possuem entre 1 e 2 anos, enquanto 1.756 têm entre 2 e 3 anos. Por fim, 1.153 têm entre 3 e 4 anos e 652 possuem entre 4 e 5 anos.
A falta de clientes é a principal dificuldade no início da carreira enfrentada por mais de três mil advogadas e advogados (3.279 menções – 36%). Outros obstáculos são a insegurança técnica e prática processual, que obteve 2.506 citações; os custos altos para manter escritório, com 1.547 referências; e a falta de mentoria por parte de advogados mais experientes, com 1.299 relatos.
O fator que mais impede a participação das advogadas e dos advogados em cursos e formações jurídicas é o alto custo dos cursos (4.367 menções – 48%). Outros pontos mencionados são a falta de cursos práticos e alinhados à realidade da advocacia; a falta de tempo devido ao volume de trabalho; e a pouca clareza sobre os cursos, temas e formatos oferecidos pela Escola Superior da Advocacia (ESA).
Perguntados sobre as barreiras no acesso igualitário a oportunidades na advocacia, 50% responderam que não encontraram barreiras ou dificuldades para inclusão. Já entre os 50% que percebem dificuldades, mencionam a ausência de políticas e ações que promovam a igualdade e a inclusão pela OAB; a ausência de recursos de acessibilidade nos espaços da entidade, dos Tribunais e em outros lugares inerentes à prática da advocacia; e a falta de apoio e recursos para quem necessita de adaptações específicas devido a deficiência ou neurodivergência.
Os dados revelaram, ainda, os desafios relevantes relacionados à remuneração: 32,9% afirmam receber valores incompatíveis com a carga de trabalho; 31% relatam dificuldade para precificar honorários e lidar com inadimplência; e 28,9% citam a concorrência desleal.
No campo tecnológico, a maioria indica como dificuldade o acesso a softwares jurídicos, sobretudo em razão do alto custo. Outros problemas constatados são dificuldade de dominar sistemas processuais eletrônicos, como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) e o portal e-SAJ, e a falta de capacitação prática para o uso de tecnologia no dia a dia profissional. Por outro lado, 38,6% afirmam dominar bem as ferramentas tecnológicas disponíveis.
Entre as violações de prerrogativas mais citadas está o aviltamento de honorários, apontado por 46,1% como prática recorrente. Restrições de fala ou tratamento desrespeitoso em audiências, dificuldade de acesso a processos e ambientes judiciais e a violência em razão do exercício da advocacia foram outras situações relatadas pelos participantes do censo.
No recorte territorial, 1.760 advogadas e advogados destacam a falta de estrutura do Judiciário como principal dificuldade no interior. Outros obstáculos indicados foram a pouca oferta de cursos e eventos da OAB na região (1.544 menções) e pouca estrutura e apoio da OAB (919 menções). Entretanto, 4.498 informam não atuar nessas localidades.
A região Sudeste concentra o maior número de participantes do Censo Nacional da Jovem Advocacia, com 3.581 respondentes, com destaque para São Paulo (1.748) e Minas Gerais (1.081). Confira a quantidade de respondentes das demais regiões brasileiras: Nordeste com 2.049; Sul com 1.665; Centro-Oeste com 977; e Norte com 830.
Confira o relatório final do Censo Fala Jovem