Busato denuncia “jogo” para esfriar investigação da corrupção
Salvador (BA), 23/11/2005 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, acusou hoje (23) tanto a situação quanto a oposição ao governo de estarem fazendo “um jogo” para não avançar nas investigações das denúncias de corrupção e, dessa forma, não proceder às punições que seriam necessárias. Busato afirmou que o povo “já não suporta mais essa falta de ética” e convocou a sociedade a ficar atenta “aos movimentos desse verdadeiro jogo de xadrez que os políticos estão jogando e que envergonha a nação”. A afirmação foi feita em entrevista logo após audiência com o governador da Bahia, Paulo Souto.
“É preciso que a população esteja atenta a esse jogo em que, de um lado, há o governo que tenta abafar os escândalos e empurrar essa crise de qualquer forma e a qualquer preço”, alertou o presidente nacional da OAB. “De outro lado – prosseguiu -, há uma oposição que não pretende a punição de ninguém e quer que continue a situação como está, quer que o Brasil continue sendo inconstitucional, imoral e partidário de práticas políticas altamente fora da consciência ética do povo brasileiro”.
Busato destacou que um exemplo desse “jogo do poder”, em que governo e oposição tentam deixar tudo como está, sem aprofundar investigações e encaminhar punições, é a crise que passou a envolver especulações sobre a queda do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. “Há quinze dias, quando se criou de um lado uma cizânia do grupo palaciano – uma tensão entre os ministros da Fazenda e da Casa Civil -, de outro lado a oposição arrefeceu, procurando proteger um pouco o ministro da Fazenda com relação ao seu envolvimento nos graves fatos em que foram acusados seus auxiliares”, observou.
“O que se sente é que quando a água atinge uma temperatura que pode incomodar o presidente da República, há um trabalho de todos, seja da situação ou da oposição, de abaixar essa temperatura, de resfriar o clima político da investigação, da punição, o clima político que seria saudável e ético diante das graves denúncias que o País tem assistido”, criticou o presidente da OAB.
Para Roberto Busato, diante desse quadro “a situação do País é hoje absolutamente frustrante, em função de que as investigações chegam num ponto que não avançam, onde não se vê progresso quer na apuração quer na punição dos envolvidos”. Nesse quadro, ele vê também uma certa acomodação por parte da oposição ao governo, ao mesmo tempo que cai a popularidade do governo e do presidente da República.
A queda dos índices de popularidade do governo e do presidente da República revelada pelas últimas pesquisas, conforme observou, é sintoma direto da crise. “O mundo político está em desconformidade com a população brasileira; ao momento que tudo isso acontece, a frustração acaba se manifestando na forma de rejeição aos que ocupam o poder atualmente”, avaliou Busato.