Lançada campanha para ampliar licença-maternidade
Rio de Janeiro, 30/07/2005 - A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lançaram hoje (30), no Rio de Janeiro, uma campanha nacional para ampliar o período de licença-maternidade para seis meses. Atualmente, a legislação brasileira estabelece em quatro meses a licença. A idéia é que se crie uma alternativa, proporcionando incentivos fiscais às empresas que aderirem ao prazo de seis meses.
A senadora Patrícia Saboya Gomes (sem partido/CE) participou do lançamento e comprometeu-se a levar a idéia ao Congresso Nacional, em forma de um projeto de lei. Segundo a parlamentar, é importante que a mãe possa permanecer mais tempo em casa, a fim de amamentar o filho por seis meses, período mínimo indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo próprio Ministério da Saúde.
"Há uma certa incoerência, porque o próprio governo do Brasil estimula o aleitamento materno até os seis meses de idade do bebê, mas ao mesmo tempo a licença maternidade que se dá é de quatro meses. Isso cria um conflito para as mulheres, que lhes tira o sossego. Você fica dividida entre a necessidade de amamentar o seu filho até os seis meses de idade e a de retornar ao trabalho, com medo de perder o emprego", disse a senadora.
A atriz Maria Paula é outra defensora do projeto: "Minha filha tem um ano e um mês e ainda mama no peito. Tive só quatro meses de licença, como qualquer outra mulher, mas acontece que tenho a sorte de ter um trabalho diferente, então eu a levava comigo. Mas é muito raro uma mulher ter a oportunidade de levar o bebê para o trabalho", contou a atriz.
De acordo com coordenadora da campanha na Sociedade Brasileira de Pediatria, Mariângela Barbosa, o aleitamento materno torna a criança mais saudável. "São vários os benefícios para a criança, desde a nutrição adequada para o bebê até o desenvolvimento físico e emocional perfeito da criança, porque, quando você está amamentando, você está tendo um contato direto com seu filho", afirmou.
Outra entidade que apóia a proposta é o Conselho Regional de Fonoaudiologia do Rio de Janeiro. "A amamentação melhora a fala da criança, previne doenças e a própria mãe fica mais saudável, porque vivencia uma troca maior com seu bebê", explicou a presidente da Comissão de Saúde do Conselho, Eliane Arruda.