ACM: Lula quer transposição pensando na reeleição em 2006
Brasília, 02/05/2005 - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, acusou hoje (02) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar com propósitos eleitorais o projeto da integração das bacias do São Francisco, achando que ele lhe renderá votos dos nordestinos numa candidatura à reeleição em 2006. “A decisão do presidente Lula é política, não há dúvida que é política; o presidente acha que esse um ponto forte para ele apresentar em sua campanha. Mas isso não vai acontecer, tais e tantos serão os embaraços para essa obra que ele não vai utilizá-la como deseja em sua campanha política”, afirmou o senador, durante intervenção no debate sobre o rio São Francisco promovido pelo Conselho Federal da OAB.
O senador considerou um erro o projeto governamental que pretende canalizar águas do Velho Chico para Estados carentes do Nordeste e disse que na Bahia “é inteiramente contra a transposição”. Ele acusou o governo de não fazer um plano hídrico para o Nordeste, “o que se tivesse feito já seria importante para evitar essa polêmica da transposição do São Francisco”. Ele afirmou ainda que projetos de diversos Estados para melhorar a oferta hídrica estão paralisados por conta da prioridade dada à transposição
Para Antonio Carlos Magalhães, a busca de recursos financeiros para a obra “vai dar dor de cabeça a meu amigo Ciro Gomes” (ministro da Integração Nacional, também presente ao debate). Segundo ele, não adiantará se conformar com acenos do Banco Mundial ou Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) porque, a seu ver, não haverá interesses de bancos privados. “Acho que seria melhor que os financiamentos que o Brasil está fazendo a outros países fossem utilizados no São Francisco, seria mais apropriado”.
Mas, para o senador baiano, antes de qualquer proposta de transposição das águas do São Francisco, o governo deveria buscar sua revitalização. “Se ele fosse revitalizado, a sua situação seria outra e talvez num futuro ainda longínquo pudesse se pensar em transposição, mas não nessa fase agora, o que seria danoso”, sustentou.
Antonio Carlos Magalhães pediu ao ministro Ciro Gomes que leve em conta também, nas avaliações do projeto, as opiniões que não aquelas dos técnicos oficiais. Ele observou que a questão do São Francisco “é uma questão técnico-político: o governo gasta dinheiro e esforço para convencer o cidadão, os Estados e o Parlamento de que o projeto é viável e oportuno. Quem ainda não recebeu um dos diversos e sofisticados informativos impressos governamentais sobre a transposição? Eu recebo toda hora”.
O senador previu também que o governo enfrentará problemas na Justiça devido à suja insistência em implementar o projeto contra normas legais, inclusive contra condições exigidas pelo Ibama. Ele reclamou também o fato de que, no debate, o “governo tem apelado para o emocionalismo, quando se espera racionalidade”.