CNDH discute hoje indenização negada à dona Lyda
Brasília,13/03/2005 – A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está reunida desde às 9 horas, no edifício-sede da entidade, discutindo os argumentos utilizados no relatório da Comissão de Mortos e Desaparecidos para negar o pedido de indenização apresentado pela família de dona Lyda Monteiro, ex-diretora de Secretaria do Conselho Federal da OAB que morreu vítima de atentado em 27 de agosto de 1980, ao abrir uma carta-bomba endereçada à entidade, então sediada no Rio de Janeiro.
Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Edísio Simões Souto, os argumentos para vetar a indenização são “inteiramente inconsistentes”. Segundo ele, não convence a alegação do relator do caso na Comissão, Belisário Santos Júnior - para afastar a responsabilidade do Estado - de que os explosivos usados para confeccionar a bomba não eram de uso exclusivo dos militares, mas de uso comercial, uitilizados para extração mineral e explosão de pedreiras. “Quem se lembra da época, sabe muito bem que os atentados eram feitos de forma bem dissimulada”, disse Edísio citando como exemplo o atentado no Riocentro.
Naquele atentado, dois militares do Exército foram responsabilizados, depois que uma bomba explodiu no colo deles (um morreu no ato, outro ficou ferido) no interior de um veículo estacionado próximo ao Riocentro, onde acontecia um show. “Quem sabia simular o fazia bem e não ia usar artefato explosivo de uso exclusivo do Exército; no caso do Riocentro o Exército negou mas concluiu-se depois que foi uma farsa, pois eram dois militares”, recordou Edísio.