Aristoteles critica duramente voracidade fiscal do governo

sábado, 12 de fevereiro de 2005 às 09:03

Brasília,12/02/2005 - O que vem acontecendo no Brasil extrapola o razoável, pois a alta carga tributária corresponde a mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que na década de 80 esta mesma relação apresentou um índice médio de 24,9%. A avaliação é do vice-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aristoteles Atheniense, ao revelar que foi organizada uma comissão no Conselho da OAB, que promoverá o levantamento dos motivos da carga tributária brasileira, reconhecida como sendo das mais elevadas do mundo.

Segundo Atheniense, a medida provisória 232 aumenta a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 32% para 40%, incidente sobre os prestadores de serviço tributados pelo lucro presumido. Editada pelo governo na virada do ano, a MP foi o ápice dos destemperos tributários, que afetou exclusivamente as pequenas e médias empresas, afrontando o princípio da isonomia e concorrendo para que muitas destas empresas voltem a informalidade. "Em razão dessa medida abusiva, ficou comprometida a ação de pequenos e médios empresários, enquanto que os grandes não foram atingidos por ela", pondera.

"A alta taxa a que chegamos não é conseqüência do desempenho insatisfatório na obtenção de receitas, mas decorrente, sim, de juros da dívida interna e externa, de contratos com taxa de correção exorbitante e do montante das despesas desnecessárias e alheias à função estatal", opina. Assim, de acordo com Athenienese, é justa a preocupação da OAB em enfrentar a voracidade fiscal, na esperança de que o Judiciário não faltará em seu papel de acolher as medidas que lhe forem dirigidas e que possam por fim a este descalabro.

O vice-presidente da OAB não poupa críticas ao que foi feito nos dois últimos anos. Segundo ele, "num governo marcado por contradições como o atual, a proposta virá colocar a limpo muitas incertezas que vêm afetando as camadas menos privilegiadas da sociedade".