Ato em homenagem a dona Lyda lembra importância da OAB na redemocratização

quarta-feira, 26 de agosto de 2009 às 04:44


Rio de Janeiro, 26/08/2009 -A atuação da OAB durante a ditatura militar como defensora da sociedade democrática e a defesa do julgamento de torturadores pertencentes ao aparelho repressivo foram a tônica do ato que homenageou a funcionária Lyda Monteiro, vítima de uma carta-bomba endereçada aopresidente do Conselho Federal à época, Eduardo Seabra Fagundes. O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi - que participou da homenagem junto com o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous,com o filho de dona Lyda, Luiz FelippeMonteiro Dias, e comSeabra Fagundes- associou o ocorrido em 1979 com uma série de outros atos de terrorismo cometidos durante a ditadura militar contra pessoas relacionadas a organizações que lutavam pela democracia.


Vanucchi destacou também que o Supremo Tribunal Federaldeve decidir em breve sobre uma ação que pede o fim da anistia para torturadores. "Espero que o STF decida pelo fim da impunidade. Caso contrário, aumentará muito a chance de o país voltar ao ciclo de violência". O presidente da Seccional, que inaugurou uma placa alusiva à dona Lyda, fez questão de citar, um a um, os nomes dos advogados que se destacaram na luta pela anistia. "A OAB-RJ tem o dever de homenagear os advogados que não faltaram à cidadania do país", afirmou para em seguida emendar a lista que tinha, entre outros, Evandro Lins e Silva, Raymundo Faoro e Humberto Telles.


Já o filho da homenageada e também advogado, Luiz Felippe Monteiro Dias, salientou a importância de se esclarecer o crime,até hoje pouco elucidado. "Na época do atentado, a apuração dos fatos não deixou de ser um instrumento de barganha em troca da anistia. Apesar disso, o ato de hoje não se trata de revanchismo. O que precisamos é que a história seja reescrita, mas contendo todas as informações". Destinatário da carta que vitimou a funcionária, o então presidente do Conselho Federal Seabra Fagundes lembrou emocionado os detalhes do atentado e afirmou que o ataque tinha o claro objetivo de enfraquecer a instituição. "O ataque não era endereçado ao presidente, mas à instituição que ousou se opor a ditadura".

Compuseram a mesa também o ex-presidente do Conselho Federal Hermann Assis Baeta, o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Henrique Maués, e o representante da Comissão Especialsobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marcos Antônio Rodrigues Barbosa. No final do evento, Iramaya Benjamin, expoente na luta pela anistia, recebeu da OAB/RJ uma placa em sua homenagem.